O que seria se não tivesse abandonado a cidade onde cresci? Regresso a Viseu com a ideia de fazer um filme documentário do meu reencontro com os antigos colegas de liceu que não voltei a ver, desde que deixei a cidade, há vinte anos. Será uma viagem no tempo, um regresso a um espaço que já não me é familiar. Como não me encontro a viver na cidade onde cresci, pergunto- me onde estão e o que fazem essas pessoas, que sonhos foram cumpridos e quais ficaram por realizar. Esta época que pertence à minha memória pessoal remonta a um tempo específico, a um ponto de viragem no meu percurso pessoal. No ano seguinte migrei para Lisboa para iniciar um novo ciclo de estudos, no Ensino Superior e este grupo de amigos do tempo de liceu foi progressivamente desaparecendo da minha vida. Alguns deles acompanharam-me na ida para Lisboa para frequentar estudos superiores ligados às artes. Neste momento, ao questionar sobre as suas vidas acabo por reflectir sobre o meu percurso até aqui. Escolhi um objecto icónico como referência, o livro de ponto que costumava estar na secretária do professor e que tinha na sua página de abertura as fotografias de passe dos colegas de turma pela qual se fazia uma chamada. Esse ritual da evocação dos nomes em voz alta será inspirador para a estrutura do meu filme e deste ensaio. Parto numa viagem às minhas memórias pessoais dos locais e das pessoas, regressando à cidade onde nasci e cresci, à procura da turma do meu 12o ano de escolaridade do final dos anos oitenta.
16 janeiro 2012
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário